Atividades econômicas realizadas pelos índios dentro do mundo moderno

No dia 19 de abril, é comemorado o Dia do Índio. A cultura indígena, desde que foi descoberta pelos portugueses no século XVI, passou por diversas modificações, mas sempre mantendo sua essência. Diferente de antigamente, quando muitos indígenas viviam dentro na floresta, hoje é comum encontrá-los vivendo em praias, no sertão, ou até mesmo em pequenas ou grandes cidades. Eles vivem, principalmente, no estado do Amazonas, mas também existe um número considerável na região Norte, Centro-Oeste e até mesmo no Sudeste. Por estarem em zonas urbanas, eles estão se inserindo em um mercado de trabalho muito parecido com o restante dos brasileiros. Mais de 500 anos depois, muitas tribos se adaptaram ao mundo moderno, sendo comum ver índios trabalhando nas cidades, em setores que muitas pessoas não imaginariam encontrá-los.

Comércio de Artesanatos

Atualmente, muitos índios se integraram à sociedade moderna através do comércio de artesanato. Uma prática que carrega as raízes da cultura indígena, e também se insere no contexto do mundo atual. Eles usam suas habilidades de conhecerem os elementos da natureza para criarem produtos que sejam de utilidade na casa das pessoas. São criados desde itens estéticos como colares, brincos e até mesmo roupas, mas também itens mais úteis em casa, como vasos, panelas, mesas, entre outros.

Um bom exemplo disso é a Associação das Mulheres do Alto Rio Negro, criada com o apoio da antropóloga Janet Chernela.  Surgindo como um espaço de mulheres indígenas promoverem oportunidades de trabalho e geração de renda, essas mulheres trabalham com artesanato desde 1987, tendo como objetivo conseguirem se sustentar de alguma forma. Da década de 90 para os anos 2000, o comércio da associação cresceu, tendo até mesmo como um de seus maiores clientes a Petrobras. Elas também possuem barracas na central de artesanato, na Praça Clementino Aranha e também na Praça Saudade, ambas na cidade de Manaus. Elas representam um bom exemplo de como um grupo indígena conseguiu produzir uma atividade remunerada dentro de um novo contexto econômico.

Turismo

Em muitos países a indústria do turismo começou a desenvolver suas principais atividades com a ajuda de tribos indígenas. É uma boa parceria, pois os índios possuem um conhecimento amplo sobre o território em que vivem e podem oferecer para as pessoas uma experiência única do ponto de vista cultural.
No Brasil, em 2013, foi fundada a primeira empresa de turismo administrada exclusivamente por índios do Paraná. A tribo Yyryapú, encontrou nesse setor uma alternativa para conseguir recursos extras e ampliar o desenvolvimento do grupo. Localizada próxima das Cataratas do Iguaçu, a reserva dessa tribo também investiu nas peças de artesanato e em apresentações culturais, onde contam um pouco de seus costumes, e também informações sobre a fauna e flora da região. Eles também realizam trilhas na selva para os visitantes se sentirem mais imersos em sua cultura. Os guias das caminhadas foram preparados por uma escola própria da aldeia, fundada em 2007. Parte do dinheiro arrecadado é reservado para um fundo comunitário da tribo.

Profissões técnicas

Atualmente, existem diversos cursos oferecidos por organizações não governamentais, e também por órgãos públicos e privados. Eles surgiram com o objetivo de oferecer um conhecimento para que o índio possa ajudar os membros de sua tribo, ampliando a educação e saúde do local em que vive. Tendo isso em vista é comum ver, principalmente, índios mais jovens exercendo profissões como professor, barqueiros, vendedores, construtores, entre outras.

Na área da saúde há uma ampla participação de homens e mulheres indígenas, uma vez que eles possuem um bom conhecimento sobre ervas e plantas de suas regiões, e podem ajudar na preparação de remédios dentro do mercado farmacêutico.

Pesquisadores

A FUNAI (Fundação Nacional do Índio), criou a oficina de Formação de Pesquisadores Indígenas. Ela é realizada na Reserva da tribo Kapôt, em Jarina – Mato Grosso, tendo como objetivo a ampliação de conhecimentos dos índios para que possam trabalhar com o processo de documentação de línguas e das inúmeras culturas indígenas existentes. Esse é um investimento que ajuda muitos os índios a conseguirem sua própria fonte de renda, sendo uma profissão um pouco mais valorizada e que também contribui para o desenvolvimento cultural do país. Muitos do indígenas que se inscrevem nessa oficina, além de pesquisadores, também se tornam professores, contribuindo para o aumento da educação e da qualidade de vida da sua tribo.