Quais as atividades exercidas dentro de uma tribo indígena

A questão indígena no Brasil atual

Basta ler um pouco de revistas e jornais para saber que a situação indígena atual é complicada. Sempre na luta por conseguir seus direitos e não perder suas terras para grandes indústrias e barões do agronegócio, os índios reivindicam que suas terras permaneçam intocadas – e suas.

O objetivo é que se mantenha o máximo possível de sua cultura de antes da chegada do homem branco. Embora possa parecer impossível, muitas tribos conseguem manter vários de seus costumes. A relação fortíssima de respeito e troca com o meio-ambiente é parte inerente da cultura de todos os índios.

Por isso que ter uma terra reservada e sem influências do resto do país é tão importante. Assim, eles conseguem manter sua cultura e também exercer suas atividades econômicas.

E aí você pode se perguntar: mas como os índios vivem, hoje em dia? Quais as atividades que as tribos têm?

As atividades econômicas dos índios hoje em dia

Para começar, isso varia muito de tribo para tribo, aldeia para aldeia, região para região. E até de pessoa para pessoa. Hoje em dia é muito comum índios deixarem suas terras (voluntariamente ou forçados pela indústria) e irem aos centros urbanos em busca de educação. Isso, claro, os torna qualificados para qualquer emprego que os brasileiros atuem.

Mas é interessante observar as tribos que conseguem se manter em suas raízes. Várias, como os guajajara, conseguem inclusive manter sua subsistência a partir da agricultura e pesca – como sempre tinha sido.

É muito comum que os índios continuem a plantar o que seus ancestrais sempre passaram adiante, como mandioca, milho, feijão ou abóbora. O plantio varia de cultura, mas também da região de cada tribo, cada uma com solo mais adequado para certos tipos de alimentos.

As comunidades costumam ainda pescar e caçar. Embora a caça seja mais para a subsistência, a pesca pode ser tanto para a tribo quanto para fins comerciais.

Como os índios se relacionam de forma profunda com o meio ambiente, eles se adaptam ao lugar onde moram. Tribos ribeirinhas naturalmente pescam mais, tendo nessa atividade sua principal forma de ganhar dinheiro. É interessante que muitos índios, embora ganhem dinheiro, ainda trabalham muito na base da troca. Troca do que plantaram, do que pescaram, pelo que precisam no momento.

Outra atividade muito comum e presente em diversas tribos é o artesanato e a cerâmica. É uma das principais formas de conseguir dinheiro, especialmente nos locais com muito turismo, ou mesmo para tribos que recebam mais visitantes de fora.

A coleta também é muito importante para os índios. Coleta significa tudo o que eles pegam pelo ambiente, como castanhas e frutas. É uma atividade forte de troca e venda. A castanha do Pará, por exemplo, é muito forte na alimentação e culinária de indígenas da região. Mas os índios da região são os principais coletores para venda em menores escalas, então a castanha é também fonte de renda.

Os índios também prestam serviços como trabalhadores temporários, geralmente braçais. Isso pode ser em fazendas ou outros trabalhos disponíveis perto de sua região de habitação.

A relação com a terra

Pelo que foi descrito até aqui, é fácil perceber como as tribos indígenas são profundamente apegadas à terra. Originalmente, os índios eram um meio-termo entre nômades e sedentários. Eles passavam um tempo estabelecidos numa região, cultivando o solo e caçando, até o momento em que os recursos ficassem mais escassos.

Eles então abandonavam a terra, deixando-a se recuperar naturalmente, passando para outra mais abundante. Não havia pobreza e escassez na vida dos índios dos séculos passados – o Brasil era uma terra abundante e exuberante.

Hoje, com o aumento de indústrias como a madeireira e a agropecuária, os índios se encontram cada vez mais encurralados. Quando a terra fica escassa, eles não são capazes de continuar o ciclo de seus ancestrais, já que não têm direito a nenhuma outra terra.

Por isso, naturalmente, acabam prestando serviços e se relacionando mais com a cultura do resto do Brasil, seja vendendo artesanato e cerâmica para turistas, seja como trabalhador braçal.

E, assim, vão se afastando ainda mais de sua cultura antiga.

Atividades econômicas realizadas pelos índios dentro do mundo moderno

No dia 19 de abril, é comemorado o Dia do Índio. A cultura indígena, desde que foi descoberta pelos portugueses no século XVI, passou por diversas modificações, mas sempre mantendo sua essência. Diferente de antigamente, quando muitos indígenas viviam dentro na floresta, hoje é comum encontrá-los vivendo em praias, no sertão, ou até mesmo em pequenas ou grandes cidades. Eles vivem, principalmente, no estado do Amazonas, mas também existe um número considerável na região Norte, Centro-Oeste e até mesmo no Sudeste. Por estarem em zonas urbanas, eles estão se inserindo em um mercado de trabalho muito parecido com o restante dos brasileiros. Mais de 500 anos depois, muitas tribos se adaptaram ao mundo moderno, sendo comum ver índios trabalhando nas cidades, em setores que muitas pessoas não imaginariam encontrá-los.

Comércio de Artesanatos

Atualmente, muitos índios se integraram à sociedade moderna através do comércio de artesanato. Uma prática que carrega as raízes da cultura indígena, e também se insere no contexto do mundo atual. Eles usam suas habilidades de conhecerem os elementos da natureza para criarem produtos que sejam de utilidade na casa das pessoas. São criados desde itens estéticos como colares, brincos e até mesmo roupas, mas também itens mais úteis em casa, como vasos, panelas, mesas, entre outros.

Um bom exemplo disso é a Associação das Mulheres do Alto Rio Negro, criada com o apoio da antropóloga Janet Chernela.  Surgindo como um espaço de mulheres indígenas promoverem oportunidades de trabalho e geração de renda, essas mulheres trabalham com artesanato desde 1987, tendo como objetivo conseguirem se sustentar de alguma forma. Da década de 90 para os anos 2000, o comércio da associação cresceu, tendo até mesmo como um de seus maiores clientes a Petrobras. Elas também possuem barracas na central de artesanato, na Praça Clementino Aranha e também na Praça Saudade, ambas na cidade de Manaus. Elas representam um bom exemplo de como um grupo indígena conseguiu produzir uma atividade remunerada dentro de um novo contexto econômico.

Turismo

Em muitos países a indústria do turismo começou a desenvolver suas principais atividades com a ajuda de tribos indígenas. É uma boa parceria, pois os índios possuem um conhecimento amplo sobre o território em que vivem e podem oferecer para as pessoas uma experiência única do ponto de vista cultural.
No Brasil, em 2013, foi fundada a primeira empresa de turismo administrada exclusivamente por índios do Paraná. A tribo Yyryapú, encontrou nesse setor uma alternativa para conseguir recursos extras e ampliar o desenvolvimento do grupo. Localizada próxima das Cataratas do Iguaçu, a reserva dessa tribo também investiu nas peças de artesanato e em apresentações culturais, onde contam um pouco de seus costumes, e também informações sobre a fauna e flora da região. Eles também realizam trilhas na selva para os visitantes se sentirem mais imersos em sua cultura. Os guias das caminhadas foram preparados por uma escola própria da aldeia, fundada em 2007. Parte do dinheiro arrecadado é reservado para um fundo comunitário da tribo.

Profissões técnicas

Atualmente, existem diversos cursos oferecidos por organizações não governamentais, e também por órgãos públicos e privados. Eles surgiram com o objetivo de oferecer um conhecimento para que o índio possa ajudar os membros de sua tribo, ampliando a educação e saúde do local em que vive. Tendo isso em vista é comum ver, principalmente, índios mais jovens exercendo profissões como professor, barqueiros, vendedores, construtores, entre outras.

Na área da saúde há uma ampla participação de homens e mulheres indígenas, uma vez que eles possuem um bom conhecimento sobre ervas e plantas de suas regiões, e podem ajudar na preparação de remédios dentro do mercado farmacêutico.

Pesquisadores

A FUNAI (Fundação Nacional do Índio), criou a oficina de Formação de Pesquisadores Indígenas. Ela é realizada na Reserva da tribo Kapôt, em Jarina – Mato Grosso, tendo como objetivo a ampliação de conhecimentos dos índios para que possam trabalhar com o processo de documentação de línguas e das inúmeras culturas indígenas existentes. Esse é um investimento que ajuda muitos os índios a conseguirem sua própria fonte de renda, sendo uma profissão um pouco mais valorizada e que também contribui para o desenvolvimento cultural do país. Muitos do indígenas que se inscrevem nessa oficina, além de pesquisadores, também se tornam professores, contribuindo para o aumento da educação e da qualidade de vida da sua tribo.